segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Commodities: o preço deve continuar alto.

Alguns sinais de mudança do cenário macroeconômico internacional e nacional começam a delinear importantes fatores de risco para a manutenção de um crescimento econômico mais consistente no Brasil. Em primeiro lugar os menores saldos comerciais, na esteira de uma taxa de expansão mais acentuada das importações vis-a-vis a um resultado mais modesto pelo lado das exportações. E, em segundo lugar, a taxa de inflação ao produtor e ao consumidor, que tem permeado os diversos relatórios de mercado, sinalizando a continuação do aperto monetário.
Esses dois movimentos encontram uma relação estreita, apesar de não ser tão clara, que é o elevado preço de várias commodities no cenário internacional. Se por um lado, um patamar de preços mais elevado gera mais divisas para a balança de pagamentos via exportação, por outro, representa um choque de oferta na inflação, na medida que o consumidor brasileiro paga o preço internacional. De qualquer maneira, entender esse cenário passou a ter maior importância para os analistas de mercados emergentes, em especial para o Brasil, que se coloca no grupo dos principais exportadores do produto.

Brasileiro é estranho....

         Brasileiro é estranho. Quando a economia estava sendo solapada pelas crises internacionais nos períodos azarados de 1994 a 2002, a taxa média de crescimento do PIB foi de apenas 2,6%, e com forte oscilação entre um máximo de 5,3% no início do plano Real até o mínimo de 0,04% em 1998. Nesse momento todos olhavam para o horizonte e ansiavam ver os anos de crescimento do País do futuro. Invejávamos as taxas chinesas, os baixos juros americanos, a estabilidade de regras do Japão e dos Países Nórdicos, a disciplina dos Alemães e a confiança e tradição das instituições inglesas.
            O início da primavera no cenário internacional contagiou o Brasil a partir de 2003, em um movimento reverso aos contágios de crise que estávamos acostumados. E depois de anos ruins, o País voltou a apresentar taxas de crescimento elevadas. Ainda não era o mesmo desempenho da China, é verdade, mas o crescimento brasileiro começou a permear os textos, discursos e debates, a tese da sustentabilidade.